Proibição das bets oferece riscos ao mercado e à economia, alerta IBJR
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A proibição das apostas esportivas de quota fixa representa um retrocesso direto nas diretrizes estabelecidas pelo próprio governo. Segundo o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e suas empresas associadas, encerrar a atividade coloca em risco um ecossistema que passou a operar sob fiscalização, regras claras e autorização federal desde janeiro de 2025.

O setor investiu capital expressivo para se adequar às exigências legais no país. Houve contratação de pessoal especializado, desenvolvimento de tecnologias, assinatura de contratos e pagamento de outorgas oficiais.

Interromper esse funcionamento pouco tempo após o início da vigência gera prejuízos profundos. Os impactos jurídicos e econômicos tendem a comprometer o controle conquistado sobre o segmento.

Veto legal não elimina o mercado clandestino

Mudar a legislação não extingue a busca do consumidor pelo serviço. Levantamento da LCA Consultores, apoiado em dados do Instituto Locomotiva, aponta que entre 38% e 44% dos palpites na internet ainda ocorrem em páginas não autorizadas — índice menor que a faixa de 41% a 51% registrada em 2025.

A consultoria sinaliza que o fim das opções regulamentadas vai direcionar grande parte dos usuários para plataformas ilegais. Esses sites operam sem nenhum compromisso com as leis vigentes.

Perda de proteção ao apostador e controle estatal

Com a migração para a ilegalidade, os apostadores perdem mecanismos essenciais de segurança. Ferramentas como verificação facial, identificação do usuário, monitoramento de rotinas financeiras, limites de depósitos e autoexclusão deixam de existir.

Sem o ecossistema legalizado, o poder público perde a capacidade de monitorar o setor. O rastreamento de fluxos financeiros e a fiscalização de operações ficam inviabilizados.

Impactos fiscais e prejuízo na arrecadação pública

As perdas financeiras para o país assumem proporções preocupantes. Cálculos da LCA indicam que, entre 2027 e 2030, o bloqueio das apostas de quota fixa pode gerar uma perda de arrecadação entre R$ 58 bilhões e R$ 73 bilhões, caso 80% a 100% dos apostadores migrem para o mercado paralelo.

Essa receita perdida deixaria de abastecer setores essenciais previstos na legislação. Recursos destinados à segurança pública, educação, esporte, turismo e seguridade social seriam cortados.

Além disso, a cadeia produtiva sofre em cascata. Acordos de patrocínio, contratos de prestação de serviços, empregos diretos e investimentos privados são cancelados imediatamente.

Risco de judicialização e insegurança jurídica

A quebra do modelo recém-criado afeta a credibilidade do ambiente de negócios brasileiro. As empresas autorizadas recolheram R$ 30 milhões por licença para operar por cinco anos, confiando na estabilidade trazida pelas regras do Estado.

Análises da LCA mostram que o risco financeiro imediato para a União começa em R$ 2,55 bilhões apenas na devolução de outorgas. O valor real é muito superior se somados os investimentos estruturais e contratos assumidos.

Alterar o cenário regulatório abruptamente eleva a insegurança jurídica no país. A tendência inevitável é o surgimento de uma onda de disputas nos tribunais.

Regulamentação e fiscalização como caminho viável

Para o IBJR e as empresas do setor, a solução para conter os problemas das apostas passa pelo fortalecimento da fiscalização e pelo combate direto às plataformas ilegais.

O fortalecimento das políticas de Jogo Responsável em um ecossistema supervisionado permite ao Governo Federal fiscalizar o setor, exigir contrapartidas das empresas e garantir a proteção necessária aos consumidores.

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